Interior da Terra está esfriando mais rápido do que se esperava

Interior da Terra está esfriando mais rápido do que se esperava

Pesquisadores desenvolveram um sistema para medir a condutividade de calor de minerais no interior da Terra.

Pesquisadores do Instituto Federal da Tecnologia de Zurique, na Suíça, desenvolveram um sistema de medição da condutividade de minerais do interior da Terra, o que os levou a suspeitar de que o calor do nosso planeta pode se dissipar mais cedo do que se pensava. Os resultados do estudo foram publicados no último sábado (15/01/2022) no periódico Earth and Planetary Science Letters.

A evolução da Terra é a história de seu resfriamento já que, desde seu surgimento, há 4,5 bilhões de anos, quando temperaturas extremas prevaleciam em sua superfície coberta de magma, o planeta passa por um processo de dissipação de calor.

Ao longo de milhões de anos, a superfície terrestre se resfriou e formou uma crosta quebradiça. A enorme energia térmica que ainda emana do interior do planeta dá origem a movimentos e processos dinâmicos, como a convecção do manto terrestre, as placas tectônicas e o vulcanismo.

No entanto, as questões de quão rápido a Terra esfriou e quanto tempo pode levar para que esse resfriamento interrompa os movimentos causados pela energia térmica ainda intrigam os cientistas.

Para compreender melhor esses processos, há um caminho possível: a condutividade térmica dos minerais que formam a fronteira entre o núcleo e o manto da Terra. Essa barreira entre as camadas do planeta é relevante porque nela a rocha viscosa do manto está em contato direto com a fusão de ferro e níquel do núcleo externo terrestre.

A variação de temperatura entre as duas camadas é muito acentuada, então há potencialmente muito calor fluindo ali. A camada limite entre o núcleo e o manto é formada principalmente pelo mineral bridgmanita.

Motohiko Murakami, professor do Instituto Federal da Tecnologia de Zurique, com seus colegas do Instituto Carnegie para Ciência, nos Estados Unidos, desenvolveram um sofisticado sistema de medição que lhes permite medir a condutividade da bridgmanta em laboratório, sob as condições de temperatura e pressão que prevalecem na Terra.

Para as medições, eles usaram um sistema de absorção óptica desenvolvido recentemente em uma unidade de diamante aquecida com laser pulsado.

“Esse sistema de medição nos permite mostrar que a condutividade térmica da bridgmanita é cerca de 1,5 vez maior do que a presumida”, disse Murakami em comunicado do Instituto de Zurique. Ou seja: o fluxo de calor do núcleo para o manto também é maior que se pensava, aumentando a convecção do manto e acelerando o resfriamento da Terra.

Isso pode fazer com que as placas tectônicas, mantidas pelo movimento de convecção do manto, desacelerem mais rápido do que os pesquisadores, baseados nos valores anteriores de condução de calor, esperavam.

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